Arquivo de Fevereiro, 2007

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[2] Noites

Sexta-feira, 23 Fevereiro, 2007

Beer Se há bons motivos para sair de casa, à noite, a cerveja é, certamente, um dos melhores. Em boa companhia, claro. Sentar-me num bar, sozinho, a emborcar canecas de cerveja não é, propriamente, um dos meus desportos favoritos, além de que tem o seu quê de nostálgico.

Se o Bairro Alto, por si só, já é bastante apelativo, o entusiasmo redobra-se quando se prevê uma noitada de amigos, de longas conversas longas. Que foi o caso. Depois da loucura financeira de um café no Pavilhão Chinês, a noite fez-se de tascos, os poucos que ainda se encontram com lugar sentado e sem horripilantes batidas a martelarem-nos a cabeça.

As conversas, as mesmas de sempre, que nunca são demais nem repetitivas quando partilhadas com amigos. Vêm-nos à memória os bons velhos tempos de entrada na universidade, há muitos anos. Um tempo onde se conversava o futuro, onde se desenhavam, em cinzeiros cheios, missões (im)possíveis, destinos a (per)seguir, caminhos a traçar. Aos 18 anos, não se tem passado. Fala-se, sempre, do que virá. Nunca do que foi ou do que passou. Julgo que nenhum dos presentes faz, hoje, aquilo que ambicionava, os sonhos que perseguiu. Mas somos felizes, à nossa maneira. Senão na rotina diária, excessivamente rotina e excessivamente diária, pelo menos nestas noites partilhadas.

E há coisas que me fascinam, na noite. As verdades bem dispostas destiladas de cerveja. Os sorrisos francos entre névoas tabágicas. E a entrega total de pessoas que se conhecem demasiadamente bem.

Voltei para casa a pé, já depois das 4h da manhã. Não aconselhável, dizem-me, mas bastante útil. Quem se prepara para ir trabalhar às 9h, tem que, inevitavelmente, fazer os possíveis para que os últimos resquícios de cerveja sejam rapidamente eliminados. E há, ainda, toda uma série de ideias que nos vêm à cabeça, a estas horas geladas, enquanto se caminha a passo largo e rápido. Mas essas ficarão para outro dia. Hora de apagar o cigarro e ir (tentar) dormir.Cigarro

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[1] Contos Urbanos

Quarta-feira, 21 Fevereiro, 2007

Ainda não era meia noite e já estava sufocado, em casa. Há noites assim, em que apetece sair, deambular pela cidade. Em que as quatro paredes de uma sala, de um quarto, de uma casa, se tornam num espaço demasiado apertado para uma vida tão jovem e ainda com tanto por preencher. Noites em que apetece tentar perscrutar vidas alheias, através de rostos fechados, desconhecidos.

Hoje, foi uma dessas noites. Sem planos. Sem saídas pelos sempre apinhados bares, com os mesmos rostos, os mesmos copos, os mesmos cigarros, as mesmas conversas. Há uma certa dose de adrenalina que se espalha pelo corpo ao deambular por ruas escuras e abandonadas de vida. Uma certa insegurança que deveria exigir atenção redobrada e que acaba, no entanto, por fazer a mente vaguear pelas mais díspares e diversas histórias. Vividas ou imaginadas.

Foi na Calçada da Graça que surgiu a ideia, 1h30 da madrugada. Aproveitar o dia-a-dia, as histórias da rua e do emprego, da noite e de bares, de encontros e desencontros. Aproveitar esses momentos de divagação solitária, da indistinta fronteira entre a realidade e a ficção. E contar todos esses momentos. Em forma de contos. Contos Urbanos.