
[1] Contos Urbanos
Quarta-feira, 21 Fevereiro, 2007Ainda não era meia noite e já estava sufocado, em casa. Há noites assim, em que apetece sair, deambular pela cidade. Em que as quatro paredes de uma sala, de um quarto, de uma casa, se tornam num espaço demasiado apertado para uma vida tão jovem e ainda com tanto por preencher. Noites em que apetece tentar perscrutar vidas alheias, através de rostos fechados, desconhecidos.
Hoje, foi uma dessas noites. Sem planos. Sem saídas pelos sempre apinhados bares, com os mesmos rostos, os mesmos copos, os mesmos cigarros, as mesmas conversas. Há uma certa dose de adrenalina que se espalha pelo corpo ao deambular por ruas escuras e abandonadas de vida. Uma certa insegurança que deveria exigir atenção redobrada e que acaba, no entanto, por fazer a mente vaguear pelas mais díspares e diversas histórias. Vividas ou imaginadas.
Foi na Calçada da Graça que surgiu a ideia, 1h30 da madrugada. Aproveitar o dia-a-dia, as histórias da rua e do emprego, da noite e de bares, de encontros e desencontros. Aproveitar esses momentos de divagação solitária, da indistinta fronteira entre a realidade e a ficção. E contar todos esses momentos. Em forma de contos. Contos Urbanos.